Indústria da Alimentação cresce 3,8% em Juiz de Fora

A atual situação econômica do país trouxe muitas incertezas e preocupação ao empresariado do setor da alimentação em Juiz de Fora. A avaliação é da presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Juiz de Fora (SIA-JF), Flávia Gonzaga, que criticou a forma com que o setor industrial foi tratado durante o ano que vai chegando ao fim.

“A desestruturação da máquina pública prejudicou todos os setores da sociedade. O setor da alimentação de Juiz de Fora teve seus desafios em 2016 e buscou alternativas como diversificação de mix de produtos e novas área de atuação para poder manter ou até mesmo crescer o faturamento”, pondera Flávia.

Mesmo com todo empenho da indústria em sobreviver e vencer os desafios, muitas empresas estão obtendo dividas com o Governo do Estado por conta da mudança na data de arrecadação do ICMS, que passou do dia 15 para o dia 8 de cada mês. O fato aborreceu e deixou o setor industrial  revoltado. “Essa mudança se deu para que o Governo do Estado pudesse pagar o funcionalismo público, e com isso as empresas foram penalizadas. A data do imposto tem coincidido com a mesma data da folha de pagamento dos colaboradores na indústria, e entre pagar um ou outro, devido a falta de capital, a indústria opta em pagar o colaborador, adquirindo dívida com o imposto e mais juros com correções exorbitantes”, critica a presidente do SIA-JF.

O setor de alimentação teve em 2016 um aumento nos custos fixos e variáveis, mas apesar disso ainda conseguiu obter um crescimento médio de aproximadamente 3,8% no faturamento, acima do ano passado, que variou entre 0,5% e 2,6%. Alguns pontos foram fundamentais para esse resultado, como a substituição de alguns produtos que tiveram aumentos exorbitantes por produtos mais em conta e a busca do consumidor por produtos mais saudáveis.

Leomar Delgado, presidente do Centro Industrial de Juiz de Fora, chama a atenção para a pró-atividade do setor, que não se deixou abater pela crise. “O setor de alimentos é um exemplo de determinação e força de vontade. Eles não aceitaram estar em crise e buscaram saídas para ela, o que trouxe esse resultado positivo, que pode até ser pequeno, mas que deve ser muito comemorado em meio a um período de fechamento ostensivo de indústria em diversas áreas”.

Mesmo assim as projeções para 2017 não são muito otimistas e a presidente admite que a insegurança toma conta do empresariado: “Contamos muito com os canais de distribuição no mercado, como os varejos, atacados, distribuidores, alimentação fora do lar, bares, restaurantes, hotéis e padarias. Portanto se toda essa cadeia conseguir superar esta crise poderemos ter bons resultados”.

Para estimular o setor o Sindicato irá focar suas ações na exportação. As empresas interessadas do setor de alimentação poderão ter oportunidade de participar da feira SIAL 2017 na China, uma oportunidade de negócios apoiada pela FIEMG.  Além disso, cursos para os colaboradores da indústria em parceria com o Senai, na recém inaugurada Área de Alimentos e Panificação Ormeu Baptista de Castro, no Centro de Formação Profissional José Fagundes Netto.